Por Márcia Oliveira
O verso do Hino Acreano nunca fez tanto sentido para todo o Brasil como no último domingo.
Porque no último domingo o Brasil não escolheu apenas um governo. Escolheu defender seus brios. Escolheu lutar com a mesma energia de sempre, sem recuar, sem cair, sem temer, diante de qualquer tentativa, venha de onde vier, de dentro ou de fora, de ofender a nossa democracia.
O Brasil não escolheu começar de novo. Escolheu continuar.
Continuar um projeto que, com acertos e falhas, tentou trazer de volta a ideia mais simples e mais poderosa da política: a de que ela serve para melhorar a vida comum.
A vida de quem acorda cedo, pega a bicicleta, toma o café rápido e vai trabalhar para cuidar da família e só quer um pouco mais de tranquilidade no fim do mês.
Não foi apenas a vitória de um grupo político. Foi a vitória do povo nas urnas. Foi a escolha de muita gente que olhou para a sua própria rotina e sentiu que, apesar de tudo que ainda falta, prefere seguir por esse caminho a ter que recomeçar do zero.
É por isso que a emoção desse resultado é diferente. Não é grito de torcida. É suspiro de alívio.
É aquela sensação de quem trabalhou o dia inteiro debaixo do sol e senta no fim da tarde na frente de casa com a certeza de que o esforço valeu a pena.
O povo brasileiro deu uma aula. Mostrou que não aceita o caos como projeto. Entendeu que gerar instabilidade, espalhar ódio e jogar brasileiro contra brasileiro não é estratégia política, é método de quem quer abrir caminho para o autoritarismo.
E o povo disse não. Disse não ao audaz estrangeiro que tenta nos dizer o que fazer. Disse não ao golpismo interno que tenta nos dividir. Lutamos com a mesma energia.
Mas continuar não é repetir. E aqui está o recado mais importante que as urnas deixaram, tanto para quem ganhou quanto para quem perdeu. Continuar exige mais. Exige humildade para ouvir quem ainda está com dificuldade. Exige coragem para corrigir o que não funcionou. Exige lembrar, todos os dias, que voto não é adoração. É cobrança.
A política não precisa de salvadores, precisa de gestores comprometidos.
E exige também responsabilidade da oposição. Embora o Congresso Nacional tenha hoje a maior oposição ao Executivo da história recente, tomara que as divergências ideológicas não levem o país para o abismo só para fazer o adversário fracassar.
Fiscalizar, propor, melhorar, esse é o papel nobre da oposição. Usar o sofrimento do povo como moeda para ganhar a próxima eleição, torcer para o país dar errado, apostar no quanto pior melhor, isso nunca foi oposição. Sempre foi uma busca de poder.
E o povo já mostrou que não aceita mais isso. Que o governo que o povo escolheu para continuar entenda o recado final: o povo brasileiro quer seguir em frente, mas não aceita abrir mão da democracia para isso.
Que siga com as políticas sociais. Que siga cuidando de quem mais precisa. Que siga unindo, ao invés de dividir, e que nunca esqueça: sempre que houver afronta à democracia, seja de audaz estrangeiro ou de quem quer gerar o caos aqui dentro, o povo brasileiro se levantará.
Foi assim antes, foi assim no último domingo, e será assim sempre que for necessário.
Porque o Brasil aprendeu a se defender. Lutando sem recuar, sem cair, sem temer. E aprendeu que cuidar das pessoas é a forma mais bonita e mais corajosa de cuidar da democracia.
No último domingo, o Brasil escolheu continuar se cuidando. E continuar se defendendo.









