Rio Branco, 4 de novembro de 2026.

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Caminhoneiros denunciam filas de até sete horas em balança do DNIT na Tucandeira e ameaçam bloquear BR-364 no Acre

Caminhoneiros que trafegam pelas rodovias do Acre denunciam longas filas e demora nos procedimentos de pesagem de veículos de carga realizados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Diante da situação, a categoria está se mobilizando para realizar uma paralisação a partir desta sexta-feira (6), caso não receba uma resposta dos órgãos federais responsáveis.

As principais reclamações envolvem a fiscalização nas proximidades do Posto Fiscal Tucandeira, na divisa entre o Acre e Rondônia, na BR-364. Segundo os caminhoneiros, a pesagem individual dos veículos, incluindo a verificação do peso por eixo, estaria provocando congestionamentos que chegam a três ou quatro quilômetros de extensão.

Em relatos encaminhados à reportagem do Portal Acre, motoristas afirmam que o tempo de espera varia entre quatro e sete horas, comprometendo o transporte de mercadorias, o cumprimento de prazos e a rotina dos profissionais que dependem das rodovias para trabalhar.

O caminhoneiro Flávio, um dos profissionais que procuraram a reportagem, relatou que a situação tem provocado insatisfação entre os trabalhadores:

“Estamos com um problema muito sério ali no Posto Fiscal Tucandeira. Uma pesagem de caminhão fora do comum. Está todo mundo reclamando, ficando quatro, cinco horas numa fila para pesar um caminhão”, afirmou.

Outro motorista, identificado como Erasmo, destacou que a categoria não se opõe à fiscalização, mas questiona a forma como os procedimentos estão sendo realizados:

“A gente não se recusa a pesar. A gente segue as normas das rodovias, mas não concorda com esses abusos. Rodamos o Brasil inteiro e encontramos balanças em vários lugares, mas não ficamos tanto tempo em filas como acontece aqui”, declarou.

Os profissionais também reclamam da existência de diferentes pontos de pesagem ao longo das rodovias acreanas, citando estruturas nas regiões de Bujari, Sena Madureira e na divisa com Rondônia.

Segundo os relatos, a demora prejudica especialmente motoristas que transportam cargas por longas distâncias, além daqueles que viajam acompanhados de familiares.

Um dos participantes da mobilização, identificado como Maurício, informou que caminhoneiros de diferentes municípios estão se organizando para interromper o tráfego em três pontos estratégicos, caso não haja uma solução até o final desta semana.

Entre os locais mencionados estão as proximidades do Posto Fiscal Tucandeira, a região da ponte sobre o Rio Madeira e um trecho de acesso a Rio Branco.

De acordo com o motorista, a intenção é manter os bloqueios durante cinco dias, o que poderá comprometer o abastecimento e a circulação de mercadorias entre o Acre e outras regiões do país:

“Estamos nos organizando todos os motoristas do estado do Acre: os puxadores de pedra, os boiadeiros, os caçambeiros, todo mundo. Se não houver uma resposta diretamente do DNIT ou dos órgãos federais, vamos fechar por cinco dias”, afirmou.

Maurício também declarou que os trabalhadores não são contrários à fiscalização de peso, mas defendem mudanças na organização do atendimento para evitar o acúmulo de caminhões nas rodovias:

“A gente não é contra pesar, mas que deixem em um ponto específico. Tem gente que passa mais de sete horas na fila somente para pesar”, acrescentou.

Os caminhoneiros alegam ainda que a retenção de veículos para pesagem estaria sendo realizada de maneira inadequada. Entretanto, as afirmações sobre possíveis irregularidades nos procedimentos dependem de esclarecimentos técnicos e jurídicos dos órgãos responsáveis.

A mobilização, segundo os relatos, ainda está em fase de organização e poderá ser suspensa caso as autoridades apresentem uma solução para as reivindicações.

DNIT se posiciona

A reportagem do Portal Acre entrou em contato com o superintendente regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no Acre, Ricardo Araújo, para solicitar esclarecimentos sobre as denúncias apresentadas pelos caminhoneiros.

O superintendente encaminhou a demanda à assessoria de comunicação do órgão, quese posicionou por meio de nota. Diferente do que foi relatado pelos caminhoneiros, o DNIT afirma que as longas filas não podem ser atribuídas apenas à fiscalização de peso.

Leia a nota na íntegra.

Nota DNIT

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) esclarece que a fiscalização de veículos de carga com excesso de peso é uma atividade regular da Autarquia, realizada conforme contratos e procedimentos estabelecidos. A operação não é exclusiva do Acre e também ocorre em outros estados.

Atualmente, o Acre conta com quatro unidades de fiscalização na BR-364, instaladas no Bujari, Senador Guiomard, Sena Madureira e no Posto Fiscal Tucandeira, na divisa com Rondônia. A iniciativa busca ampliar o controle do excesso de peso e preservar as condições de segurança e conservação da rodovia.

Sobre as filas relatadas pelos caminhoneiros, o DNIT esclarece que, na região da Tucandeira, há dois procedimentos distintos: a fiscalização de peso realizada pela Autarquia e a fiscalização tributária da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), que exige a apresentação da documentação da carga.

A parada dos caminhões para apresentação das notas fiscais à Sefaz é independente da fiscalização da balança e ocorreria mesmo sem a presença da unidade de pesagem no local. Portanto, as filas registradas na região não podem ser atribuídas exclusivamente à fiscalização de peso.

O DNIT informa ainda que, durante as pausas da equipe responsável pela pesagem, os veículos são liberados para seguir viagem, sem retenção em razão da balança.

A fiscalização de peso é necessária para evitar danos ao pavimento e garantir maior segurança aos usuários da BR-364.

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