
A Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre, ocupa a primeira posição em dois rankings de áreas protegidas mais ameaçadas e pressionadas pelo desmatamento na Amazônia Legal. O levantamento considera o período de julho a setembro de 2026 e foi divulgado nesta sexta-feira (6) pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) em seu relatório trimestral sobre a situação das unidades de conservação e terras indígenas.
Na classificação de pressão por desmatamento, que considera a ocorrência de derrubadas dentro dos limites das áreas protegidas, a Resex Chico Mendes lidera com 116 células de monitoramento identificadas. O número é superior ao da segunda colocada, a Área de Proteção Ambiental (APA) do Tapajós, no Pará, que registrou 63 células.
A reserva acreana também aparece em primeiro lugar no ranking de ameaça, com 67 células identificadas no entorno do território. Nesse indicador, a segunda posição é ocupada pela Floresta Nacional do Iquiri, no Amazonas, e pelo Parque Nacional da Serra do Divisor, no Acre, ambos com 28 células.
Os resultados mostram que a Chico Mendes enfrenta simultaneamente a ocorrência de desmatamento dentro de seus limites e o avanço da derrubada em áreas próximas, uma combinação que aumenta a vulnerabilidade da unidade de conservação.
Pressão dentro e no entorno da reserva
O Imazon utiliza uma metodologia que divide a Amazônia Legal em quadrados de 10 quilômetros por 10 quilômetros, chamados de células, para identificar a distribuição dos alertas de desmatamento.
A classificação de pressão considera as ocorrências dentro dos limites das áreas protegidas. Já a ameaça identifica o desmatamento no entorno dessas unidades, em um raio de até 10 quilômetros, permitindo identificar territórios que podem sofrer avanço da derrubada sobre suas áreas.
Os indicadores, portanto, não representam diretamente a quantidade de quilômetros quadrados desmatados, mas o número de células de monitoramento com ocorrências identificadas. Cada célula corresponde a uma área de 100 km², que não necessariamente está integralmente desmatada.
Outras áreas protegidas do Acre também aparecem
A situação da Resex Chico Mendes não é isolada. O relatório também coloca outras unidades de conservação acreanas entre as dez primeiras posições dos rankings.
No indicador de ameaça, aparecem o Parque Nacional da Serra do Divisor, com 28 células, e a Reserva Extrativista do Cazumbá-Iracema, com 27. Na classificação de pressão, a Reserva Extrativista Alto Juruá registra 22 células, enquanto o Parque Nacional da Serra do Divisor aparece com 18.
A presença dessas áreas reforça a dimensão da pressão sobre os territórios protegidos do estado, que também desempenham papel importante na conservação da floresta e na manutenção das comunidades que dependem dos recursos naturais.
Crescimento em relação a 2025
A comparação com o mesmo trimestre de 2025 também chama atenção. Os gráficos do relatório indicam que a Resex Chico Mendes passou de aproximadamente 60 para 67 células no indicador de ameaça e de 98 para 116 no de pressão.
As variações representam aumentos aproximados de 12% e 18%, respectivamente. Assim, além de permanecer na liderança dos dois rankings, a reserva apresentou crescimento nos indicadores em relação ao mesmo período do ano anterior.







