Rio Branco, 25 de maio de 2026.

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Em entrevista, Coronel Ulysses critica atuação ambiental na Resex: “As consequências disso são fome e miséria, e tudo isso é fruto de perseguição”

Coronel Ulysses foi o convidado do podcast do Portal Acre: Foto Everton Monteiro

O novo episódio do podcast sobre política do Portal Acre, o Um “Dedin” de Prosa, recebeu nesta segunda-feira, 24, o deputado federal Coronel Ulysses (União), que falou um pouco sobre sua carreira política, os principais projetos do seu mandato e também sobre as pautas que defende em sua trajetória.

O parlamentar comentou sobre os conflitos que ocorreram em junho deste ano na Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, localizada na região de Xapuri, referentes aos embargos impostos pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Para Ulysses, os produtores rurais vêm enfrentando “perseguição” por parte dos órgãos federais.

Segundo o deputado, ainda persistem impactos sociais e econômicos decorrentes dos embates. “As consequências disso são fome e miséria, e tudo isso é fruto de perseguição. Algumas pessoas estavam ali antes de ser reserva. O Estado chegou ali com uma política ambiental para se projetar lá fora e simplesmente invadiu propriedades, dizendo que agora era reserva”, afirmou.

Outro ponto criticado pelo deputado durante a conversa sobre o assunto, se refere ao fato da orientação dada aos moradores para viverem exclusivamente do extrativismo.

“O extrativismo é extremamente ultrapassado. O Acre não tem mais condições de viver de coleta de castanha e muito menos da coleta de borracha. As pessoas têm que produzir, têm que plantar cacau, café, milho, precisam criar seu gado. Tem várias culturas que podem plantar. Inclusive quando fazem essa plantação, isso também é considerado reflorestamento”, disse.

Além disso, Ulysses afirmou que os produtores usam menos área do que é permitido na legislação para a criação de gado. Entretanto, ainda enfrentam diversas dificuldades para obter as licenças ambientais.

“Eles têm que criar o seu gado e tem muito pasto ali que não tem mais como ser recuperado. Os órgãos exigem que só pode ter até cem cabeças de gado, ora o pasto cabe mais e porque não é utilizado? E outra coisa, a maioria das pessoas ali nem utilizam a porcentagem que é autorizada pela lei ambiental. A lei ambiental autoriza 20%. Às vezes ali tem 8%, tem 15% utilizados. E eles não permitem, é uma dificuldade para poder ter uma licença ambiental. Então, assim, existe uma perseguição covarde por parte daqueles que se beneficiam dessa pauta ambientalista”, declarou.

O deputado citou também o episódio em que visitou a Resex Chico Mendes, na época em que estavam acontecendo os conflitos com os órgão de fiscalização ambiental, e classificou a ação como desproporcional.

“Quando fui em Xapuri, que presenciei pessoalmente essa situação, vivenciei um momento ali, junto com o Gutierrez, porque eu fui na terra dele, que estava sendo invadida. Eu cheguei na propriedade e estava lá um aparato grande, tinha dois helicópteros, tinha viatura do Exército, viatura de todos os órgãos da polícia, do ICMBio, do Ibama, todo mundo que você pode imaginar, para tirar um cidadão de bem, trabalhador, de sua propriedade. Isso é covardia, isso traz fome, miséria, subdesenvolvimento e é uma perseguição covarde contra aqueles produtores”, acusou.

O parlamentar também criticou a política da “Florestania”, implementada em governos anteriores no Acre, e afirmou que esse tipo de gestão contribuiu para o que ele considera como atraso econômico do estado e comparou a situação com o estado vizinho: Rondônia.

“O Acre tem que assumir o papel que Rondônia assumiu, tem que crescer e se desenvolver. A política da Florestania, que foi colocada aqui no Acre por 20 anos, foi o que empobreceu o Acre. Além da miséria e da fome, trouxe as facções, porque os jovens e adolescentes hoje não têm trabalho, não têm oportunidade, exatamente porque o nosso Estado não tem condições de dar emprego e renda para esse jovem adolescente. E olha só como a política da Florestania é nefasta: quando foi implantada aqui, Rondônia era menos desenvolvida do que o Acre e, hoje, está 20/30 anos na frente do nosso estado. Nós temos que recuperar isso”, defendeu.

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