Aprovado no maior concurso da Educação do estado, Francisco Leandro Santos, de 34 anos, assinou o termo de posse nesta segunda-feira, 5, e compartilhou uma história de desafios e superação.
“Eu tinha que ser o homem da casa para sustentar. Acordava de madrugada, ia para a rua pedir dinheiro para tentar comprar um quilo de sal, farinha, açúcar. Às vezes a gente sobrevivia só com jacuba e caldo de caridade”, compartilhou.

Leandro transformou as memórias de uma infância difícil para mudar de vida por meio do ensino. O professor afirma que foi salvo pela educação e pelo hip hop.
“Tive que sobreviver sozinho, sem pai, sem mãe e sem amigos. Durante o tempo em que meus pais estavam separados, consegui seguir em frente graças à ajuda de parceiros que me deram casa e comida. Foi isso que me sustentou e me deu forças para continuar. Também já fui moleque de rua desde muito cedo, antes dos 12 anos, enquanto minha mãe cuidava de três crianças pequenas em casa eu saía para pedir.”
Morador de Sena Madureira, Leo do Hip Hop, como é conhecido, relembra a infância difícil, mas destaca que a arte e a cultura o fizeram sonhar com um futuro melhor. Formado em Física pelo Instituto Federal do Acre (Ifac), ele atuou como professor provisório em 2025 e, neste ano, foi convocado no concurso da Educação.

Os sonhos, porém, não param por aí. Com a segurança da efetividade, Leo planeja voos mais altos, como se tornar servidor federal, enquanto transforma a vida de jovens dentro da sala de aula, assim como, um dia, teve a sua própria vida transformada.
“Também devo minha resiliência à cultura hip hop, que me deu base, conhecimento e força para resistir. Foi essa cultura que me salvou de entrar no mundo do crime, já que muitos me julgavam dizendo que eu não ia prestar. O hip hop, ao contrário, me ensinou a enxergar novos horizontes e alcançar novos patamares por meio da cultura, da dança e do break. Por isso, devo muito a essa cultura e à minha trajetória profissional”, relembra.
Entre 2019 e 2020, ele conquistou uma bolsa de estudos pelo Ifac e acredita que ser professor é uma forma de ajudar outros jovens a mudarem de vida, incentivando sonhos e planos.
“Eu conheço uma realidade que ainda existe. Já fui para a sala de aula com fome, sem sandália, e percebia que alguns professores não entendiam que quem vai com fome não consegue acompanhar o raciocínio. Quando comecei a ministrar aulas, aprendi a ser flexível com isso. Sabemos que há adolescentes sem a presença dos pais ou da família, e a escola precisa ser uma válvula de escape, acolher, entender o aluno, tirar um tempo para ouvir, conversar e estender a mão.”
O concurso que assumiu lhe deu a garantia de poder planejar o futuro. Como pretende se tornar professor universitário, ele afirma que precisa se preparar com mais estudo, enquanto aguarda o momento certo para dar mais um passo importante na carreira.
“Quero continuar seguindo com humildade, sabendo qual é o meu lugar e qual é o momento certo de ocupar os espaços. A posse foi marcante, um instante em que pude refletir sobre tudo o que passei na vida, sobre todas as humilhações que enfrentei. Mesmo assim, nunca desisti de mim. Sempre acreditei em mim e, apesar de todas as dificuldades, não me deixei levar pelo que o sistema queria que eu fosse”, reforça.
Desistir não faz parte do vocabulário do servidor, que sempre acreditou que daria certo e se tornou persistente ao traçar o caminho que queria seguir.
“Passou um filme na minha cabeça, porque não foi fácil conquistar uma vaga. Por isso, é preciso acreditar no seu potencial, acreditar em você e também estudar. Quando pensamos em ser servidores, se não sacrificarmos nosso tempo e não abrirmos mão de certas coisas, dificilmente vamos conseguir. Às vezes alguns têm sorte, mas eu não acredito tanto em sorte; acredito mais em persistência, em trabalho árduo e em sacrifício, porque Deus honra. Tenho certeza de que essa nova fase da minha vida vai contribuir muito para a sociedade no campo educacional. Precisamos fazer com que o aluno se sinta humano. Não podemos tratá-lo como um robô, como um produto ou apenas números, mas como alguém com potencial para contribuir com a nossa sociedade”, finaliza.
Com informações da Agência de Notícias do Acre







