
Na manhã desta segunda-feira, 22, o prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, permitiu a Ordem de Serviço para a construção de um desagregador em concreto armado com capacidade de processar até 1 mil litros de água por segundo. A obra, orçada em R$ 6,67 milhões com recursos federais, representa uma tentativa de enfrentar um dos principais problemas enfrentados pela população de Rio Branco, a instabilidade no abastecimento de água.
O equipamento será implantado no sistema de captação e tratamento operado pelo Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb) e promete atuar diretamente na qualidade da água antes de chegar às estações de tratamento.
Segundo o presidente do Saerb, Enoque Pereira, o desagregador terá um papel fundamental na redução da turbidez da água retirada do rio, um dos principais desafios enfrentados atualmente.
“Esse equipamento vai processar mil litros por segundo. Ele capta a água do rio ainda com alta turbidez, cheia de material suspenso, e reduz significativamente esses índices. Hoje, nossa estação de tratamento consegue operar plenamente até cerca de 800 NTU (unidade de turbidez). Acima disso, precisamos reduzir a vazão, o que impacta diretamente o abastecimento”, explicou.
Com a implantação do sistema, a expectativa é que a turbidez da água seja reduzida para níveis entre 200 e 300 NTU antes mesmo de chegar à Estação de Tratamento de Água (ETA). Isso deve garantir maior estabilidade no processo e evitar interrupções no fornecimento.
Impacto direto na população

A principal promessa da nova estrutura é melhorar o abastecimento na “ponta”, ou seja, nas casas dos moradores. De acordo com Enoque Pereira, a oscilação na qualidade da água bruta captada do rio tem sido um dos fatores que mais afetam o fornecimento.
“Quando a turbidez aumenta, somos obrigados a diminuir o tratamento, e isso repercute diretamente na população. Com o desagregador, vamos conseguir equilibrar a água que entra na ETA, garantindo mais regularidade no abastecimento”, destacou.
Além da melhoria na qualidade da água, o novo sistema também deve reduzir custos operacionais. A estimativa do Saerb é de uma economia significativa com produtos químicos utilizados no tratamento.
“A gente projeta uma redução de, no mínimo, R$ 2 milhões por ano com produtos químicos. Em cerca de três anos, o equipamento praticamente se paga”, afirmou o presidente.
A previsão de execução da obra é de 8 a 12 meses. No entanto, a prefeitura e o Saerb tentam antecipar esse prazo junto à empresa responsável, com o objetivo de colocar o sistema em funcionamento já no próximo período de chuvas.
“A nossa meta é tentar utilizar esse equipamento até outubro, antes do próximo inverno. Queremos evitar que a população passe sufoco”, reforçou Enoque.
A construção do desagregador é vista como uma solução estratégica para um problema recorrente em Rio Branco: a dificuldade de tratar água em períodos de cheia, quando os rios apresentam altos níveis de sedimentos.
Se cumprir o que promete, a nova estrutura pode representar um avanço significativo na segurança hídrica da capital acreana.








