
Dados divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Acre segue abaixo da média nacional quando o assunto é rendimento médio da população. Enquanto o rendimento médio mensal do brasileiro ficou em R$ 3.367 em 2025, no Acre o valor registrado foi de R$ 2.438.
Quando analisado apenas o rendimento proveniente de programas sociais do governo, o Acre apresentou média de R$ 805, número próximo da média nacional, que foi de R$ 834.
Os dados chamam atenção porque, apesar do entendimento recorrente de que o Acre depende fortemente de programas sociais, estados considerados economicamente mais desenvolvidos também apresentam rendimentos elevados provenientes dessas transferências.
Entre os estados do Norte, Rondônia apresentou rendimento médio de R$ 895 em programas sociais, Amazonas R$ 859 e Amapá R$ 892. Já o Distrito Federal registrou média de R$ 831.
São Paulo e Paraná, por exemplo, registraram média de R$ 903 em programas sociais. Santa Catarina aparece com R$ 937 e o Rio Grande do Sul lidera o ranking entre os estados citados, com R$ 963.
Os dados reforçam o peso dos programas sociais na composição da renda das famílias acreanas, mas também ajudam a desmistificar a ideia de que apenas estados mais pobres dependem dessas transferências.
Segundo o economista Rubicleis Gomes, os programas sociais possuem importância significativa no Acre devido às características da economia local, que ainda possui uma capacidade menor de geração de renda e empregos melhor remunerados.
“Os dados mostram que o rendimento médio da população do Acre ainda é inferior à média nacional, indicando menor capacidade de geração de renda e empregos mais bem remunerados. Por outro lado, os rendimentos provenientes de programas sociais no Acre são próximos da média brasileira, o que demonstra a importância dessas transferências para sustentar o consumo e reduzir vulnerabilidades sociais no estado”, explicou.
O economista destaca, no entanto, que a presença de rendimentos maiores em estados mais ricos mostra que os programas sociais possuem alcance nacional e não estão restritos apenas às regiões mais pobres.
“Estados como São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul também recebem valores elevados em programas sociais, mas possuem economias mais fortes e diversificadas, o que reduz a dependência relativa dessas transferências”, destacou.
O economista afirma ainda que os dados ajudam a entender o atual funcionamento da economia acreana, marcada pela forte circulação de recursos públicos.
“Os dados indicam que a economia acreana ainda depende fortemente da circulação de recursos públicos, como salários do funcionalismo, aposentadorias e programas sociais. Isso revela uma economia com baixa industrialização, pouca diversificação produtiva e limitada capacidade de gerar renda privada em maior escala”, avaliou.
Na avaliação do economista, para que o Acre consiga se aproximar da média nacional de rendimento, será necessário ampliar investimentos em diferentes áreas estratégicas.
“O principal desafio é aumentar a produtividade e diversificar a economia. Isso passa por investimentos em educação, infraestrutura, logística, agroindústria, bioeconomia, inovação e atração de investimentos privados. O Acre precisa fortalecer atividades capazes de gerar empregos formais e renda de maior valor agregado no longo prazo”, concluiu.
Confira o ranking completo do rendimento dos estados provenientes de programas sociais do governo:
Brasil – 834
Maranhão – 760
Bahia – 772
Piauí – 783
Ceará – 786
Paraíba – 795
Alagoas – 797
Rio Grande do Norte – 801
Pernambuco – 804
Acre – 805
Sergipe – 806
Roraima – 809
Tocantins – 823
Rio de Janeiro – 827
Distrito Federal – 831
Pará – 838
Góias – 849
Espiríto Santo – 858
Amazonas – 859
Mato Grosso – 885
Minas Gerais – 886
Amapá – 892
Rondônia – 895
São Paulo – 903
Paraná – 903
Mato Grosso do Sul – 911
Santa Catarina – 937
Rio Grande do Sul – 963








