Rio Branco, 26 de julho de 2026.

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Rio Branco é a melhor cidade do Acre para viver; entre municípios do interior, Epitaciolândia lidera ranking

Rio Branco alcançou a 1.471 posição entre os 5.570 municípios brasileiros – Foto Marcos Vicentti

Divulgado na última quarta-feira (20) pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia e parceiros, o Índice de Progresso Social  — IPS Brasil 2026 — revela um Acre marcado por contrastes sociais e estruturais profundos. O levantamento, que mede indicadores de qualidade de vida, acesso a serviços públicos, oportunidades e bem-estar da população, colocou Rio Branco como a melhor cidade do estado para viver. Mas, excluindo a capital da comparação, é Epitaciolândia quem aparece como o município do interior acreano com melhor desempenho geral no ranking.

Rio Branco alcançou nota geral 63,44, ficando na posição 1.471 entre os 5.570 municípios brasileiros avaliados. A capital lidera o Acre principalmente porque concentra serviços, infraestrutura e oportunidades que ainda permanecem fortemente centralizados no estado. Os maiores diferenciais de Rio Branco aparecem em:

·        acesso à informação e comunicação;

·        direitos individuais;

·        acesso ao ensino superior;

·        serviços urbanos;

·        oferta de emprego formal e qualificação.

A capital obteve, por exemplo, nota 84,02 em acesso à informação e comunicação e 66,91 em acesso à educação superior, muito acima da média estadual. Além disso, aparece em posição de destaque nacional no eixo de oportunidades, ocupando a 18ª colocação entre todos os municípios brasileiros avaliados.

O desempenho reflete a concentração histórica de universidades, órgãos públicos, hospitais, serviços especializados, cobertura de internet e mercado de trabalho no principal centro urbano do Acre.

Ainda assim, o levantamento mostra que nem mesmo a capital conseguiu superar problemas estruturais históricos. Rio Branco continua apresentando fragilidades em inclusão social, segurança pessoal e saneamento básico, revelando que o crescimento urbano da cidade ainda convive com desigualdades importantes.

Sem Rio Branco na disputa, o cenário do interior acreano revela uma surpresa. Epitaciolândia, na região de fronteira com a Bolívia, aparece como a cidade do interior com melhor qualidade de vida segundo o IPS Brasil 2026. O município alcançou nota geral 59,48, ficando na posição 3.288 do ranking nacional.

Boa nota em inclusão social impulsionou Epitaciolândia ser o segundo município em qualidade de vida – Foto Wesley Cardoso

A cidade teve desempenho especialmente forte em:

·        inclusão social;

·        educação básica;

·        acesso ao conhecimento;

·        moradia;

·        direitos individuais.

O maior destaque está justamente na inclusão social, área em que Epitaciolândia alcançou nota 81,19 — uma das maiores do Acre. O resultado reforça uma tendência importante observada no levantamento: as regiões do Baixo e Alto Acre concentram alguns dos municípios mais equilibrados do estado em indicadores sociais. Além de Epitaciolândia, cidades como Brasiléia, Plácido de Castro, Acrelândia e Assis Brasil apresentam desempenho relativamente consistente em saúde, inclusão e acesso a direitos.

O IPS Brasil 2026 também mostra que riqueza econômica não garante automaticamente melhor qualidade de vida. Municípios com PIB per capita elevado, como Capixaba e Senador Guiomard, continuam enfrentando dificuldades em saneamento, oportunidades e acesso ao ensino superior. Enquanto isso, cidades isoladas da floresta amazônica, como Jordão e Porto Walter, surpreendem positivamente em indicadores de saúde, segurança e inclusão social.

Na outra ponta do ranking estadual, Santa Rosa do Purus aparece com o pior desempenho geral do Acre, registrando nota 46,70. O município enfrenta dificuldades especialmente graves em infraestrutura, acesso digital, oportunidades e saneamento básico.

O levantamento revela ainda um problema praticamente comum a todos os municípios acreanos: o saneamento básico. Mesmo cidades com desempenho geral razoável continuam registrando notas baixas em abastecimento de água, esgotamento sanitário e infraestrutura urbana.

Mais do que um ranking, o IPS Brasil 2026 acaba expondo os diferentes “Acres” que coexistem no estado: uma capital mais estruturada e conectada; cidades de fronteira que avançaram socialmente; municípios amazônicos resilientes apesar do isolamento; e regiões que ainda enfrentam carências históricas de infraestrutura e oportunidades básicas.

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