Rio Branco, 22 de junho de 2026.

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Xapuri se despede de Maria Pinheiro de Menezes, matriarca de uma das famílias mais tradicionais do município

Ao lado do esposo, Milton Menezes, também já falecido – Acervo pessoal

Faleceu neste domingo (21), em Rio Branco, Maria Pinheiro de Menezes, conhecida como Maria França, aos 96 anos. Reconhecida como uma das mais antigas matriarcas de Xapuri, ela tem uma história fortemente ligada à formação social e cultural da cidade, onde foi sepultada na manhã desta segunda-feira (22).

Nascida em 19 de outubro de 1930, no seringal Porvir, foi testemunha de quase um século de história acreana. Filha de Quiterinha Pinheiro Maia e de Manoel de França, ele veterano de guerra e participante da Revolução Acreana, cresceu em meio à realidade dos seringais que moldaram a identidade da região.

Sua infância transcorreu entre os seringais Riacho da Areia, em território boliviano, Sibéria e Porto Manso, em Xapuri, locais que guardam parte importante da memória do ciclo da borracha e da ocupação da fronteira acreana.

Maria construiu sua trajetória ao lado do esposo, Milton Menezes, com quem estabeleceu raízes na colônia Cafuba, nas imediações da cidade, onde costumavam celebrar anualmente, com grande festa, o Dia de São João Batista. Mesmo após mudarem para Rio Branco, reuniam a família para a celebração de um terço na data.

Junto com Milton, formou uma grande família, criando 11 filhos e transmitindo valores que permanecem vivos entre 25 netos, 31 bisnetos e uma tataraneta. Entre os filhos está o poeta Milton Menezes Júnior, membro da Academia Acreana de Letras e autor da obra Duas Famílias e a Revolução Acreana.

O livro resgata a trajetória das famílias França e Menezes, que chegaram ao Acre nas primeiras décadas do século XX e contribuíram para a formação de uma das linhagens familiares mais tradicionais de Xapuri.

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