
Reunindo representantes do poder público, instituições de pesquisa, setor produtivo, agricultores familiares, cooperativas e comunidades tradicionais, a Jornada para a Bioeconomia Regenerativa abriu nesta semana em Xapuri o debate para a construção do Plano Estadual de Bioeconomia do Acre, iniciativa que busca transformar a biodiversidade amazônica em oportunidades de geração de renda sem abrir mão da justiça social e da conservação ambiental.
O evento é promovido pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Acre (Ifac), por meio do Projeto Finep REVBIO – Criação e Implementação da Rede de Valor Compartilhado Socioambiental para Propulsionar Cadeias Socioprodutivas da Bioeconomia no Acre, em parceria com a Câmara Técnica de Bioeconomia do Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento do Acre e a Impact Hub Manaus, no âmbito do Projeto ECOAM.
O principal momento da programação foi o workshop “Mapa da Bioeconomia do Acre: Diálogos para a Construção do Plano Estadual de Bioeconomia”, realizado no campus do Instituto Federal do Acre (Ifac) nesta terça-feira (30). O encontro integra as ações do Projeto REVBIO, financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que será desenvolvido ao longo dos próximos três anos em todas as regionais do estado.
Ao Portal Acre, a coordenadora-geral do projeto, a professora Rosana Cavalcante dos Santos, disse que discutir bioeconomia no Acre significa, antes de tudo, discutir as pessoas que vivem da floresta.
“Não se pode falar de plantas sem falar das pessoas, não se pode falar de recuperação de florestas sem falar de quem vive delas. Quando falamos de bioeconomia regenerativa, estamos falando de desenvolvimento econômico, mas sem perder de vista a questão social, que é o mais importante”, afirmou.
Segundo ela, a proposta do projeto é identificar, mapear e fortalecer as principais cadeias socioprodutivas da bioeconomia acreana, articulando o conhecimento produzido pelas instituições de pesquisa com as demandas de cooperativas, associações e produtores rurais.
O REVBIO foi estruturado a partir de um investimento de aproximadamente R$ 3 milhões e atuará em parceria com os seis campi do Ifac, abrangendo as diferentes realidades econômicas e ambientais das regionais acreanas. A expectativa é que os estudos produzidos sirvam de base para políticas públicas voltadas ao fortalecimento da bioeconomia no estado.
Construção coletiva
Um dos principais desafios apontados durante a Jornada é superar a fragmentação das iniciativas voltadas ao desenvolvimento sustentável. De acordo com Rosana, embora o Acre reúna diversas instituições que atuam na área, muitas vezes cada uma desenvolve suas ações de forma isolada. “Ninguém faz nada sozinho”, resumiu a pesquisadora ao defender uma atuação integrada entre governo, universidades, setor produtivo, organizações da sociedade civil e comunidades tradicionais.
Para ela, somente a articulação entre esses diferentes atores permitirá construir um modelo consistente de desenvolvimento baseado nas potencialidades da floresta. A Jornada busca justamente criar esse espaço de diálogo, reunindo representantes do Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento do Acre, instituições de pesquisa, empreendedores, estudantes e produtores rurais na construção de uma agenda comum para a bioeconomia acreana.
Ao final das discussões, a previsão é a elaboração de uma Carta de Intenção que deverá orientar os próximos passos para a formulação do Plano Estadual de Bioeconomia.








