
Durante entrevista ao Portal Acre, na transmissão da Expoacre Juruá, o senador Márcio Bittar (PL), candidato à reeleição ao Senado em 2026, comentou a saída de Sula Ximenes da presidência do Deracre. Ele afirmou que sua relação com o governo estadual ficou “arranhada” após o episódio e confirmou a existência de pressão de Brasília para que seu partido caminhe ao lado de Alan Rick nas eleições.
Sobre qual candidatura ao governo o PL vai apoiar, Bittar confirmou as pressões da executiva nacional do partido para uma aliança com Alan Rick. Lideranças do PL e do Republicanos já realizaram reuniões em Brasília. As duas siglas costuram apoios recíprocos e fortalecem alianças em vários estados, o que exige que diretórios estaduais façam concessões — e um deles é o Acre.
Bittar disse que ainda não recebeu um pedido formal, mas isso deve acontecer ao longo da próxima semana. O senador acreano falou sobre uma conversa que teve com Rogério Marinho, secretário-geral do PL e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro.
“Ele me disse: ‘Olha, ninguém vai obrigar vocês no Acre a nada, mas há uma conversa com o Republicanos’. Isso é algo normal na política: se o PL pede apoio ao Republicanos, é natural que o partido também peça apoio para um candidato que esteja em alta em algum estado do país. Ainda não fui procurado, mas acredito que isso pode acontecer até a semana que vem”, explicou.
Durante a entrevista, Bittar avaliou que o Partido Liberal tem demonstrado mais interesse em manter a aliança política do que o Palácio Rio Branco. “O PL quer mais o governo do que o governo quer o PL”.
Como exemplo de uma suposta “falta de vontade” do governo em manter a aliança, ele citou a demissão de Sula Ximenes da presidência do Deracre. Sula, que era pré-candidata a deputada estadual pelo PL, desistiu da disputa justamente para permanecer à frente da autarquia. Dias depois, acabou deixando o cargo, situação que, na avaliação do senador, poderia ter sido conduzida de outra forma.
“Não é que eu não engula a demissão. O direito é da governadora, a caneta é dela. Eu não questiono isso. Mas acho que, como aliado, o governo poderia ter conversado comigo antes. Ela é do PL, ia ser candidata a deputada estadual, poderia estar na chapa conosco. É uma mulher de Feijó, a primeira mulher a presidir o Deracre, um cargo importante. De repente, não é candidata, não é suplente e sai do Deracre”, disse.
Bittar afirmou ainda que Sula se sentiu “empurrada para fora” do órgão e lamentou não ter sido procurado para discutir a mudança.
“Eu acho que o governo poderia ter dialogado e dito: ‘Márcio, vamos precisar fazer essa mudança’. Não fui procurado para conversar sobre isso”, declarou.
Apoiador da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, Bittar confirmou que, em caso de vitória de seu candidato, há uma grande chance de Sula ser indicada para assumir a superintendência do DNIT no Acre. “Sem dúvida, pelo trabalho que fez no Deracre, ela tem todas as condições de assumir o órgão no estado”.







