
A operação de segurança desencadeada pelo Grupo Especial de Segurança de Fronteira (Gefron) na Terra Indígena (TI) Ashaninka, em Marechal Thaumaturgo, segue em andamento e entrou em uma nova etapa com a integração de militares do Exército Brasileiro. A ação foi iniciada após denúncias de invasão e ameaças contra moradores da Aldeia Apiwtxa e não tem prazo definido para ser encerrada.
De acordo com o coordenador-geral do Gefron, Coronel Assis, a operação foi mobilizada imediatamente após a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) receber a denúncia apresentada pela liderança indígena Francisco Piyãko.
“Estamos em operação desde segunda-feira, dia 6 de julho, logo após a denúncia. No dia 11 de julho iniciamos uma nova etapa da Operação Ashaninka, com a integração do Exército Brasileiro, por meio do 61º Batalhão de Infantaria de Selva (BIS). Faremos patrulhamento fluvial até o Marco 40, na fronteira com o Peru. O objetivo é qualificar, com o apoio das lideranças, todas as pessoas que estão morando na região, para que não haja pessoas não autorizadas na área da terra indígena”, afirmou.

Segundo a coordenação do Gefron, as equipes permanecem realizando patrulhamento terrestre na Aldeia Apiwtxa e patrulhamento fluvial ao longo do Rio Amônia, com apoio dos próprios indígenas. A operação também prevê o levantamento e a identificação das pessoas que vivem na região, buscando garantir que apenas moradores autorizados permaneçam na área indígena. Até a última atualização não haviam ocorrido prisões.
Entenda o caso
A operação foi desencadeada após lideranças Ashaninka denunciarem que, nos dias 5 e 6 de julho, um grupo armado invadiu a Aldeia Apiwtxa à procura de lideranças indígenas e fez ameaças aos moradores. Segundo Francisco Piyãko, a comunidade vive um momento de tensão em razão das invasões registradas no território.
As lideranças atribuem as ameaças à decisão de restringir a circulação de não indígenas dentro da Terra Indígena. A medida foi adotada como forma de enfrentar problemas recorrentes na região de fronteira, entre eles o tráfico de drogas, o desmatamento ilegal e a atividade de garimpo.
Ação integrada
Desde o início da operação, a Sejusp mobilizou equipes do Gefron sediadas em Cruzeiro do Sul, que foram transportadas até a Aldeia Apiwtxa por aeronave do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer). Posteriormente, uma segunda equipe foi enviada para reforçar o efetivo.
Além do patrulhamento, foram realizadas reuniões com as lideranças indígenas e iniciado um trabalho de articulação institucional entre a Sejusp, órgãos federais e o Ministério Público Federal (MPF).

Com a entrada do Exército Brasileiro na operação, a expectativa é ampliar o controle da área de fronteira, especialmente ao longo do trecho fluvial até o Marco 40, região estratégica na divisa entre Brasil e Peru, considerada sensível para a atuação de organizações criminosas ligadas ao tráfico internacional e a crimes ambientais.
Ainda segundo o Coronel Assis, a Operação Ashaninka permanece em execução, com monitoramento contínuo da região e atuação integrada das forças de segurança para garantir a proteção das comunidades indígenas e o controle do acesso à Terra Indígena.








