
O relevo do Acre aparece predominantemente representado como área de superfícies rebaixadas no novo Mapa dos Macrocompartimentos de Relevo do Brasil, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta última semana de outubro. A publicação estabelece uma nova referência para a classificação das grandes formas do terreno brasileiro e modifica a nomenclatura utilizada anteriormente para identificar determinadas áreas.
No mapa, o território acreano está inserido principalmente em uma extensa faixa amazônica classificada como superfície rebaixada. Também são identificadas áreas de planícies associadas à rede hidrográfica, especialmente nos espaços relacionados à dinâmica dos rios.
A expressão “superfícies rebaixadas” substitui a denominação “depressões”, tradicionalmente utilizada na classificação do relevo. A mudança busca destacar a posição dessas áreas em relação aos terrenos vizinhos e evitar interpretações equivocadas, já que a palavra depressão também pode ser associada a crateras, cavidades e afundamentos.
Isso não significa que essas regiões estejam necessariamente abaixo do nível do mar. A classificação considera a posição relativa do terreno em relação às formas de relevo que estão ao seu redor.
Cinco categorias de relevo
O novo sistema organiza o território brasileiro em cinco grandes macrocompartimentos: superfícies rebaixadas, planaltos, planícies, tabuleiros e montanhas. Uma das principais novidades é o reconhecimento das montanhas como uma categoria própria na classificação nacional, distinguindo essas formações de outras áreas elevadas.
De acordo com os dados nacionais apresentados a partir do levantamento, as superfícies rebaixadas ocupam 47,9% do território brasileiro, enquanto os planaltos representam 37,6%. As planícies correspondem a 8,4%, os tabuleiros a 2,3% e as montanhas a 1,9%.
A distribuição varia entre as regiões do país. No Norte, as superfícies rebaixadas representam 64,2% do território regional, proporção que também predomina no Nordeste, com 61,7%. No Centro-Oeste e no Sul, os planaltos têm participação mais expressiva.
O mapa também evidencia a distribuição das planícies amazônicas, associadas a áreas de menor declividade e aos processos de deposição de sedimentos transportados pelos rios.
Importância para o planejamento territorial
A classificação do relevo é utilizada em estudos ambientais, pesquisas geográficas e planejamento territorial. O conhecimento das características do terreno pode contribuir para a análise da ocupação urbana, implantação de estradas e outras obras de infraestrutura, além de auxiliar na identificação de áreas sujeitas a diferentes processos naturais.
No Acre, a relação entre o relevo e a extensa rede hidrográfica é particularmente relevante para compreender a dinâmica das paisagens e os processos que influenciam a ocupação do território.
O trabalho foi desenvolvido no âmbito do Sistema Brasileiro de Classificação de Relevo (SBCR), em uma iniciativa coordenada pelo IBGE em parceria com o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a União da Geomorfologia Brasileira (UGB) e pesquisadores de diversas instituições de ensino e pesquisa.
A publicação corresponde ao primeiro nível taxonômico do sistema, responsável por organizar as grandes formas do relevo nacional. Os próximos níveis deverão permitir maior detalhamento das características geomorfológicas do país.
O IBGE disponibiliza o mapa e os materiais técnicos para consulta pública, oferecendo uma nova referência para pesquisadores, professores, estudantes e profissionais envolvidos com estudos ambientais e planejamento territorial.








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