Rio Branco, 18 de fevereiro de 2026.

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Com aumento de casos de sintomas de depressão e ansiedade entre jovens, ambiente escolar precisa fortalecer o cuidado com a saúde mental de crianças e adolescentes

Pesquisa aponta que 79% dos estudantes apresentam um ou mais sintomas de depressão e ansiedade: Foto: reprodução

A definição de saúde mental pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é o estado de bem-estar que envolve a capacidade de lidar com estresses do cotidiano, trabalhar de forma produtiva e contribuir com a comunidade, mas que não significa a ausência de doenças. A saúde mental envolve o equilíbrio emocional, psicológico e social, exigindo cuidados constantes e, quando necessário, intervenção profissional para tratar transtornos como ansiedade e depressão.

Abordar sobre saúde mental não é uma preocupação apenas na fase adulta da vida, mas também entre crianças e jovens. A escola é um dos locais onde esse público passa a maior parte do seu tempo. Por isso, falar sobre saúde mental nas escolas é uma discussão essencial atualmente.

Um estudo realizado pelo Instituto Ayrton Senna em parceria com o Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação (CAEd), da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF),  em cinco estados brasileiros — um de cada região do país — aponta que 79% dos estudantes apresentam um ou mais sintomas de depressão e ansiedade e 20,4% indicam que tem se sentido bastante ou totalmente infelizes ou deprimidos.

Ainda segundo uma outra pesquisa, divulgada pelo Instituto Educbank de Educação e Cultura, em parceria com o Great Place to Study (GPTS), em setembro de 2025, que traça um panorama da saúde mental na educação básica brasileira, mostra que mais da metade dos estudantes, cerca de 57%, não acredita que a escola ou os professores se preocupam com seu bem-estar, e apenas 22% se sentem plenamente reconhecidos e acolhidos.

A pesquisa também mostra que 75% dos educadores e 64% dos estudantes indicam que o ambiente escolar prejudica a sua saúde mental. Ambos os públicos associam a instituição a sentimentos como cansaço, ansiedade, isolamento e sobrecarga emocional. O levantamento coletou 18 mil respostas de estudantes (56,1%), familiares de alunos (32,2”%) e professores (11,6%) de quase 200 escolas em todos os estados do Brasil e no Distrito Federal, entre novembro de 2024 e maio de 2025.

Como trabalhar a saúde mental nas escolas

Por isso, atualmente, escolas têm entendido e buscado uma atenção especial a cuidar da saúde mental de seus alunos. Conforme a mestra em psicologia e consultora do Laboratório de Inteligência de Vida (LIVE), Luiza Holanda, que esteve na capital acreana nesta semana, capacitando professores do Colégio AME, os processos de saúde mental acontecem independentemente do local em que o indivíduo está.

Psicólóga Luiza Holanda durante capacitação em colégio particular de Rio Branco – Foto: Daigleíne Cavalcante

“Então, a escola, no caso da criança, é essa instituição onde eles passam o início da vida deles, essa formação. Então, levar em consideração os aspectos psicológicos, as habilidades socioemocionais, dentro dessa formação é muito importante”, afirmou.

A psicóloga acrescenta que no laboratório são trabalhadas as competências e habilidades socioemocionais. “A comunicação, perseverança, pensamento crítico, a gente trabalha inteligência emocional, o desenvolvimento dessa inteligência emocional, a compreensão dessa inteligência emocional e o quanto isso faz diferença na nossa vida. Sabemos que os acessos às informações chegam hoje de várias fontes, mas como lidar com as nossas emoções no dia a dia, o que é que eu faço com os meus sentimentos, como organizo esses sentimentos, como compreendo eles e como isso influencia na minha relação com o outro, com o mundo, isso que é importante a gente levar em consideração”, complementa.

Luiza aponta que, na fase da adolescência, as crianças estão vivendo uma etapa muito desafiadora. “São muitas novas informações que estão chegando e hoje essas informações chegam de níveis diferentes. Antes, a gente tinha acesso ao que a nossa família falava, no máximo que a escola dizia. Hoje não, a gente tem um mundo de informações e eles estão dentro dessa lógica. E essa lógica complexifica ainda mais esse período tão delicado da nossa formação”, explicou.

Segundo Luiza, nesta fase, as crianças e adolescentes ainda não têm uma compreensão do mundo e nem o desenvolvimento da empatia pelo lugar do outro e das regras a serem construídas. Além disso, a psicóloga também explica como o laboratório atua junto a esse público.

“Então, a gente está dentro dessa construção. Como é que o LIVE atua? No Fundamental 2, nós vamos trabalhar as habilidades socioemocionais. Essas habilidades socioemocionais, elas vão ser importantes para a gente desenvolver nossa relação conosco, então perceber como é que eu me comunico, como é que eu sou criativo, como é que eu sou perseverante, como desenvolver pensamento crítico e como é que isso também vai me ajudar nessas relações”, detalhou.

Professores passaram por capacitação antes do início do ano letivo – Foto: Daigleíne Cavalcante

De acordo com a psicóloga é por meio do desenvolvimento de projetos e de séries exclusivas que o laboratório tem, é que são levadas para os alunos metodologias inovadoras que se conectam com a linguagem e que se conectam com a maturidade emocional deles.

“Para a gente trazer uma linguagem para trabalhar todos esses conteúdos de uma forma dinâmica, interessante, que eles gostem, que se conectem com as aulas e que entendam a importância desses conteúdos também, porque eles ainda estão nesse processo de entender o que é que isso significa, as consequências das ações, em termos tanto para mim quanto para o outro, em termos sociais que a gente já é responsável pelos nossos atos ali. Então, para eles entenderem a importância de tudo isso”, descreveu.

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