
A Unimed Rio Branco informou na tarde desta sexta-feira, 23, após contato do Portal Acre, que não se manifestará publicamente sobre a morte da professora aposentada Nadir Nazaré Gomes de Souza, de 84 anos, após a realização de um procedimento na unidade há onze dias. A negativa ocorreu após a divulgação de manifestações públicas de entidades acadêmicas em clamor por esclarecimentos sobre o óbito, que ocorreu nesta quinta-feira, 22.
Em nota pública, a Adufac (Associação dos Docentes da Universidade Federal do Acre) lamentou a perda e foi além das condolências. A entidade destacou que, “ao que tudo indica”, Dona Nadir foi vítima de um procedimento mal conduzido durante atendimento em uma unidade da Unimed, fato que, segundo a associação, “interpela a consciência pública e exige respostas imediatas e responsáveis”.
De acordo com o texto, a professora deu entrada na unidade de saúde para correção de um quadro de hiponatremia, que requer reposição lenta e controlada de sódio por via intravenosa. Conforme relato apresentado pela família e citado na nota, a administração da solução teria ocorrido em tempo muito inferior ao recomendado, em razão de falhas técnicas na bomba de infusão e da ausência de monitoramento adequado.
A Adufac afirma que as consequências foram graves, com o desencadeamento de taquicardia, duas paradas cardíacas e, posteriormente, uma lesão neurológica irreversível. Após onze dias internada na Unidade de Terapia Intensiva, Dona Nadir não resistiu.
No posicionamento, a entidade manifesta solidariedade ao professor Sérgio Roberto Gomes de Souza, docente do curso de História da Universidade Federal do Acre e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ensino de História, filho da educadora, e cobra que a Unimed apresente esclarecimentos públicos, técnicos e transparentes sobre o ocorrido. A associação também defende atuação rigorosa do Ministério Público, da Polícia Civil e dos conselhos profissionais para apuração das responsabilidades, sem omissões ou corporativismo.
“A memória de Nadir Nazaré Gomes de Souza, educadora que dedicou sua vida ao serviço público, exige verdade, justiça e respeito”, destaca a nota, que ressalta ainda que o caso extrapola o luto familiar e institucional, tocando no direito à vida e à boa prática médica.
Também em nota, o Programa de Pós-Graduação em Ensino de História, da UFAC, manifestou profundo pesar pelo falecimento da professora e solidariedade ao professor Sérgio Roberto e seus familiares. O programa destacou o respeito e o carinho que devem marcar a lembrança de Dona Nadir, reforçando sua importância como educadora e referência humana.
O velório ocorreu na Capela Central do Cemitério Morada da Paz, em Rio Branco, e o sepultamento foi realizado na manhã desta sexta-feira, 23, em meio a expectativas por esclarecimentos oficiais sobre o atendimento prestado, em um episódio que mobiliza a comunidade acadêmica e reacende o debate sobre segurança e responsabilidade nos serviços de saúde.








