Rio Branco, 3 de junho de 2026.

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Falta de debate público e riscos urbanísticos colocam em xeque Plano Diretor de Rio Branco

O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) recomendou que a Câmara Municipal de Rio Branco suspenda a votação do Projeto de Lei Complementar nº 026/2025, que revisa o Plano Diretor da capital, até que sejam cumpridas exigências legais relacionadas à participação popular e à transparência do processo.

A medida foi adotada pela 1ª Promotoria de Justiça Especializada de Habitação e Urbanismo, no âmbito de inquérito civil que acompanha a tramitação da proposta.

De acordo com o MPAC, a análise do Núcleo de Apoio Técnico (NAT) identificou ausência de debate técnico qualificado e participação efetiva da sociedade. O órgão também alertou para possíveis mudanças que podem impactar diretamente a organização urbana da cidade.

Entre os pontos levantados estão a flexibilização da ocupação em áreas consideradas de risco geológico e hidrológico, alterações nas exigências para instalação de empreendimentos de impacto e dispensa de áreas de estacionamento, com reflexos potenciais na mobilidade urbana.

O documento menciona ainda análise preliminar do Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC), que apontou riscos ligados à ocupação de áreas ambientalmente sensíveis, expansão urbana em zonas frágeis, sobrecarga da infraestrutura e possível aumento no custo da habitação popular.

Exigências do Ministério Público

O MPAC destaca que a revisão do Plano Diretor deve obedecer à legislação urbanística e às diretrizes fixadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que exige participação popular obrigatória em processos de alteração do instrumento.

Além de recomendar que o projeto não seja votado nas condições atuais, o Ministério Público solicitou que a Câmara informe, em até 15 dias úteis, quais medidas serão adotadas para garantir audiências públicas, divulgação dos estudos técnicos e cronograma de tramitação.

Também foi determinado que a recomendação seja amplamente divulgada e que, em até dez dias, o MPAC seja comunicado sobre as providências adotadas.

Para o órgão, a revisão do Plano Diretor deve ocorrer com transparência e ampla discussão pública, dada a importância do instrumento para o futuro urbano da capital acreana.

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