
Moradores de diversos bairros de Rio Branco foram surpreendidos na manhã deste sábado, 14, com o anúncio da paralisação de 31 linhas do transporte coletivo operadas pela Ricco Transportes. O comunicado foi divulgado nas redes sociais da empresa e informa que a suspensão ocorre devido a um “desequilíbrio econômico-financeiro” que estaria impactando a operação do sistema.
A medida atinge diretamente moradores de regiões onde essas linhas são a única opção de transporte público.
Entre os casos está a linha IFAC/Transacreana, que atende estudantes que se deslocam até o campus do Instituto Federal do Acre, principalmente moradores da Baixada da Sobral e de comunidades ao longo da Estrada Transacreana.
Outro exemplo é a linha Irineu Serra, que atende um dos bairros mais populosos da capital e também não possui alternativa direta dentro do sistema.
Na região do Vila Acre, no Segundo Distrito da cidade, a paralisação pode obrigar moradores a caminhar longas distâncias até conseguir acessar outra linha na via principal. As linhas do Ramal do Canil, Ramal Castanheira, Ramal Bom Jesus e Polo Benfica estão paralisadas.
Moradores da região do Quixadá, por exemplo, relataram que na manhã deste sábado precisaram sair da estrada “na pernada” para conseguir chegar até locais onde ainda há circulação de ônibus.
Funcionários denunciam salários atrasados
A crise envolvendo a empresa também inclui denúncias feitas por trabalhadores da própria Ricco. Um funcionário da empresa, que preferiu não se identificar por medo de represálias, relatou atrasos no pagamento dos salários.
Segundo ele, o pagamento referente ao mês de fevereiro deveria ter sido realizado até o dia 5 de março, mas ainda não havia sido efetuado.
“Nosso pagamento é até o dia 5. Hoje já é dia 11 e ninguém pode nem falar nada. Quem falar em pagamento lá na empresa pega as contas. Estamos trabalhando só por amor”, afirmou o trabalhador em áudio.
A empresa já enfrentou outras polêmicas nos últimos anos relacionadas ao transporte coletivo na capital, incluindo reclamações frequentes de usuários sobre atrasos, ônibus quebrados e falhas na operação do sistema.
Sistema funciona com contrato emergencial
Desde fevereiro de 2022, a Ricco Transportes opera 31 das 42 linhas do transporte coletivo da capital, após a saída da empresa Auto Viação Floresta do sistema.
Atualmente, o serviço funciona por meio de contratos emergenciais renovados a cada seis meses pela prefeitura.
Nesta semana, a Prefeitura de Rio Branco anunciou o lançamento do edital de licitação para concessão do transporte coletivo da capital pelos próximos 10 anos, com possibilidade de prorrogação por mais 10.
O prefeito Tião Bocalom afirmou que o novo modelo busca dar mais estabilidade ao sistema e melhorar o serviço prestado à população.
“Esse contrato definitivo garante mais segurança jurídica e permite ao município exigir melhorias como renovação da frota e cumprimento de horários”, destacou a gestão municipal durante o anúncio do edital.
A licitação também prevê mudanças no modelo de remuneração das empresas, que passará a ser baseada no quilômetro rodado, e não mais na quantidade de passageiros transportados.
Linhas que serão paralisadas
Segundo a empresa, as seguintes linhas serão suspensas:
101 – Santa Inês
102A – Taquari / Praia do Amapá
105 – Amapá
106 – 6 de Agosto / Judia
107 – Recanto dos Buritis
108 – Polo Belo Jardim
109 – Polo Benfica
113 – Jacarandá
114 – Ramal Bom Jesus
115 – Ramal Castanheira
117 – Belo Jardim I
118 – Belo Jardim II
119 – Ramal do Canil
134 – Baixa Verde
205 – Irineu Serra
303 – Bahia / Carandá
304 – Aeroporto Velho / Cabreúva
381 – Transacreana km 58 / 44 e 25
382 – Polo Wilson Pinheiro / Transacreana km 18
384 – IFAC / Transacreana
402 – Floresta / Shopping
701 – São Francisco / Placas
702A – Apolônio Sales / Mangueira
702B – Apolônio Sales / Apadeq
703 – Wanderley Dantas / Café Contri
705 – Quixadá
706 – Panorama
708 – Apolônio Sales / Altamira
801 – Morada do Sol / Tropical / Cohab do Bosque
803 – Manoel Julião
805 – Aviário / Cadeia Velha
A paralisação ocorre a partir deste sábado, 14. No comunicado da Ricco, não é informado até quando pode durar ou se há previsão para retorno.
O espaço segue aberto para manifestação da empresa sobre a situação.








