
O Dia Mundial da Conscientização do Autismo, é celebrado nesta quinta-feira, 2, data que reforça a importância do respeito, da informação e da inclusão das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
De acordo com dados do Censo 2022, do IBGE, cerca de 1,2% da população brasileira possui diagnóstico de autismo. No Acre, esse número é ainda maior: 1,6%, acima da média nacional.
O que é o autismo
Segundo a psicóloga especialista em Neuropsicologia, que atua com avaliação de crianças e adultos, com foco em transtornos do neurodesenvolvimento, Fernanda Souza, o Transtorno do Espectro Autista é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta principalmente a comunicação social e o comportamento.
“O autismo é caracterizado por alterações na comunicação social e por padrões de comportamento restritos e repetitivos. Ele é chamado de espectro porque pode se manifestar de formas diferentes, variando em intensidade, perfil cognitivo e nível de autonomia”, explica a profissional.
Sinais de alerta
A identificação precoce é um dos principais fatores para o desenvolvimento da pessoa autista. Alguns sinais podem surgir ainda nos primeiros anos de vida.
Entre eles estão a dificuldade de contato visual, atraso na fala, pouca resposta ao nome, dificuldade em compartilhar interesses, além de comportamentos repetitivos e sensibilidade a estímulos como sons e luz.
“Os sinais podem ser observados muitas vezes antes dos dois anos. Quanto mais precoce a identificação, melhores serão os prognósticos”, destaca Souza.
Diagnóstico e desafios
O diagnóstico é clínico e deve ser feito por profissionais especializados, como neuropediatras ou psiquiatras, com apoio de avaliações como a neuropsicológica. No dia a dia, os desafios enfrentados por pessoas autistas vão além das questões clínicas.
“Frequentemente envolvem dificuldades na comunicação social, adaptação a mudanças e manejo sensorial. Além disso, barreiras sociais e a falta de informação ainda contribuem para a exclusão”, afirma a psicóloga.

Preconceito ainda existe
Apesar dos avanços, o preconceito ainda é uma realidade, muitas vezes causado pela desinformação.
“Existe a ideia de que o autismo tem uma aparência específica, o que leva à invalidação de diagnósticos. Também é comum interpretar comportamentos como falta de educação, quando na verdade estão ligados a dificuldades de comunicação”, explica.
Papel da família e da escola
A família e a escola são fundamentais no processo de desenvolvimento e inclusão. A psicóloga ressalta que um ambiente acolhedor, estruturado e com acompanhamento profissional faz diferença no desenvolvimento da autonomia e das habilidades sociais.
No ambiente escolar, a inclusão passa por adaptações pedagógicas e preparo dos profissionais.
“Inclusão começa com informação e respeito. Compreender o autismo para além dos estereótipos é fundamental para construir uma sociedade mais acessível e verdadeiramente inclusiva”, conclui Souza.








