
O brilho do olhar ao contemplar os pés de café na lavoura leva a primeira impressão de que estamos diante de alguém apaixonado por cada “filho” preso ao solo, e olha que são milhares de filhos. O tal do ditado popular, a primeira impressão é a que fica é mais do que verdadeira no caso da produtora rural Clara Santos.
No Ramal do Canil, praticamente dentro da cidade de Rio Branco, acontece uma história de amor à produção rural provocada por memórias afetivas familiares e muita vontade de produzir.
Clara, formada em contabilidade, doutora em educação financeira e muito bem sucedida profissionalmente com seu escritório de contabilidade, nunca conseguiu se “livrar” da produção. Filha de um produtor, tem na veia o sangue rural, de quem não se aquieta se a mão não tiver suja de terra. Cresceu no meio do mato, vendo o pai produzir, e sempre foi apaixonada pela produção rural.
Na propriedade que a família tem há mais de 30 anos já se produziu de tudo, pecuária, mandioca e leite. Mas, ainda não era o que Clara queria. A virada de chave ocorreu quando a produtora foi apresentada à cultura do café que, atualmente, vive um “boom” de produção no Acre. Números mostram um crescimento expressivo ao longo dos últimos anos. Em dezembro no ano passado, por exemplo, o Acre registrou um aumento de 115,4% , alcançando 6.632 toneladas. Para se ter um comparativo, o volume de café disparou, passando de 3.079 toneladas em dezembro de 2024 para 6.632 toneladas em dezembro de 2025.
Clara conta que a curiosidade sobre café se deu após ser informada por amigos do preço que o grão estava sendo comercializado.

A decisão surgiu conversando com os amigos, que falaram que o café estava em alta, eu me impressionei, fiquei impactada porque tava um valor muito alto. Eu fiquei na curiosidade de saber como é que funcionava, minha família tem área de terra há mais de 30 anos e foi quando deu ideia de plantar um pedaço pra ser um experimento, apenas para saber como funcionava”, conta.
O ‘problema’ é que o que era apenas um experimento se tornou amor à primeira vista. “Acontece que quando eu plantei o primeiro pedaço de terra eu já me apaixonei, me encantei pela cultura do café de tal forma que eu nem imaginava. Vai dando vontade de plantar mais, de conhecer mais de café, parece que você vai se enfeitiçando ao ponto de querer tá ainda mais no meio da produção, de conhecer como funciona cada etapa da produção. E olha que eu nem tinha ideia de como é plantar café, eu nem imaginava a importância das boas práticas. Na minha cabeça, era plantar e irrigar que tava tudo resolvido. Sem dúvida nenhuma, é um casamento que veio para ficar, isso aqui me encanta”, diz Clara, em meio ao seu plantio de café.

A prova do amor se traduz em números. Clara ainda nem colheu a primeira produção e já ampliou sua área de plantio. Incialmente, foram seis mil pés plantados, que vão ser colhidos no ano que vem. Mesmo sem colher a primeira safra, Clara ampliou e plantou outros seis mil pés do grão em sua área de terra. Outra vantagem do café é o aproveitamento das áreas já degradadas. “Eu não precisei derrubar nada, era uma área que eu já tinha usado para a pecuária e apenas adequei para o café.
Clara conta que a dúvida sobre o plantio de café estava em relação a assistência técnica, afinal, apesar da produção rural não ser uma novidade para ela, nunca havia mexido com a cafeicultura. Ela conta que o apoio da Secretaria de Agricultura tem sido o diferencial, desde a preparação do solo, as boas práticas da lavoura e as orientações com a colheita que vem pela frente.
“Eu não sabia que o estado apoiava tão forte os produtores rurais nessa parte técnica. Quando eu procurei a secretaria, eu me impressionei porque tive a maior atenção Fui lá na secretaria, conversei, a Michelma começou a me encorajar, começou a me apoiar e tá aqui desde a primeira plantação, desde a preparação do solo a gente tá tendo apoio com a preparação da terra que precisou ser aradada, o uso correto do adubo, em tudo, estou tendo acompanhamento. Fiquei impressionada com a assistência técnica do governo, confesso que eu não esperava. Eu não tinha o conhecimento, tinha vontade de plantar, mas não tinha a técnica necessária que consegui com esse apoio que tem sido fundamental”, explica.

Michelma Lima, engenheira agrônoma e coordenadora do Núcleo de Cafeicultura da Secretaria de Agricultura (Seagri), explica o motivo de tantos produtores, assim como Clara, estarem se apaixonado e se dedicando ao café.
“Eu sempre costumo dizer que o Acre tem todas as condições para a cultura do café. Chove a quantidade certa, a gente tem solos e clima bons. A verdade é que o café é mais que um negócio, ele transforma vidas. transforma a vida do pequeno, do médio e do grande produtor rural. Digo sempre que a cultura do café é de família. É uma família que produz para que chegue até a mesa de uma outra família”, afirma.
Michelma conta ainda que o entendimento dos produtores da importância das boas práticas tem feito a diferença. “Estamos investindo em qualidade e é por isso a importância das boas práticas. Na secretaria, temos conseguido fazer com que o produtor entenda que é preciso as boas práticas, todo o cuidado da colheita até o pós-colheita, o que faz com que a qualidade da bebida seja diferenciada. O café especial do Acre tem um outro nível de mercado e, por isso, tem sido seja tão reconhecido no Brasil e no exterior. Ver esse brilho no olhar de produtores como a Clara é muito recompensador”, diz a engenheira.

Temyllis Silva, secretária de Agricultura do Acre, explica que os resultados são a prova do acerto do governo estadual em investir no apoio à produção de café. “Acho que está mais do que provado do quanto foi um acerto o governo ter investido, apoiado, capacitado os nossos produtores rurais ao longo dos últimos anos. O café tem mudado vidas, resultado de troca de experiências, do Qualicafé, que é o nosso concurso e que veio para conscientizar ainda mais o produtor da importância de um produto de qualidade. A vida no campo está sendo transformada, provando que o Acre pode ter uma agricultura de qualidade, que preserva o meio ambiente, mas que melhora a vida de quem tira seu sustento da terra”, diz.

Clara Santos é um dos exemplos do quanto o café tem se tornado uma alternativa importante para o produtor acreano. Como ela costuma dizer, se tornaram muitos filhos, mais, precisamente, 12 mil.
“É emocionante ver o crescimento deles, parecem filhos mesmo, tem época que parecem que estão doentes, amanhecem amarelados e aí precisa correr para saber qual o tratamento correto, tem que descobrir a cura. Nunca imaginei que fosse me encantar tanto e quanto mais eles crescem, mas a gente se apaixona”, explica.




















