
Maria Mariana Mota
No Corpo de Bombeiros do Acre, uma das ferramentas de busca e salvamento envolve homem e bicho. Além das habilidades conseguidas ao longo de anos de contínuo treinamento, os bombeiros acreanos têm no faro aguçado de cães um apoio importante em diversas ocorrências de localização de pessoas.
Para quem não entende, o treinamento parece brincadeira. Mas, são exatamente as brincadeiras entre treinador e filhote desde os primeiros meses de vida que os cães do canil operacional aprendem a farejar, localizar e, sobretudo, salvar, ou dar respostas, durante o caos.
Sobre critérios para ser um “cão bombeiro”, os filhotes são escolhidos por características específicas que envolvem coragem, saúde e precisam, principalmente, gostar de brincar. Porque o cão não entende o trabalho como missão, mas como brincadeira.
“Para eles, é sempre uma brincadeira, toda missão é uma grande brincadeira preparada para eles. A gente aproveita o comportamento natural da e transforma em técnica”, explica o sargento Juliano Elias, treinador e subcomandante do canil.

O canil do Corpo de Bombeiros do Acre conta, atualmente, com 5 cães, que são de raças diferentes (pastor alemão, labrador e pastor belga), o que mostra que não há uma raça “ideal”. A genética pode até ajudar no trabalho, mas qualquer cão com o perfil adequado pode ser treinado. As fêmeas costumam aprender mais rápido, mas, na fase adulta, o desempenho se iguala ao dos machos.
A partir de 2 ou 3 meses de vida, os cães já iniciam o treinamento e com cerca de um ano a um ano e meio, já estão aptos para atuar em ocorrências.
Os cães bombeiros são especializados em localizar pessoas, estejam vivas ou mortas. Os animais são divididos em categorias, podem ser cão de odor específico, que busca uma pessoa determinada a partir de uma referência, como uma peça de roupa; o cão de varredura de área, treinado para encontrar qualquer pessoa viva, principalmente em cenários como desabamentos; e o cão de busca de cadáver, que atua em apoio a operações policiais e de mergulho.
Um caso memorável foi de uma ocorrência no Ramal do Macarrão, na capital Rio Branco, em que após três dias de buscas sem sucesso, um dos cães, o Echo, localizou um corpo em uma área de difícil acesso. “Foi a primeira vez que vimos, na prática, o resultado de tanto treino. A sensação foi de dever cumprido”, relata o sargento.
Em outra operação, dois cães especializados em odor específico ajudaram a encontrar um jovem com esquizofrenia que havia se perdido na mata e, para isso, os cães descartaram áreas, e facilitaram o trabalho das equipes humanas que já estavam no local há dias.

Os animais atuam em áreas abertas e sob condições adversas, enfrentam desgaste físico e mental intenso e, por isso, o revezamento é essencial. A vida operacional dura, em média, até os oito anos.
Além de participar de diversas ocorrências com êxito, o Pelotão de Cães também ajuda com a formação de novos cães para outros estados, por meio de cruzamentos planejados e parcerias institucionais, como com o hospital universitário da Ufac e clínicas veterinárias.
Quando se aposentam, eles permanecem, na maioria das vezes, com seus próprios condutores, visto que dividiram uma relação de confiança.

“Se cria uma relação afetiva de amizade e entrega mesmo. Os cães moram com os tutores para “variar” o espaço, o local de trabalho. Então os Bombeiros adaptam suas casas e suas vidas para receber os cães, que recebem os comandos com mais facilidade se tiverem confiança e carinho de quem os orienta”, explica Juliano.



























