Rio Branco, 18 de julho de 2026.

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Acre desperdiça o equivalente a 27 piscinas olímpicas ou 91 mil caixas d’água de 750 litros por dia

Desperdício seria suficiente para abastecer mais de 154 mil pessoas no Acre – Foto cedida

O Acre está entre os estados brasileiros com pior desempenho no controle de perdas de água tratada, segundo o estudo Perdas de Água 2026, elaborado pela GO Associados para o Instituto Trata Brasil. Os dados mostram que o estado desperdiça volumes suficientes para ampliar o abastecimento de aproximadamente 154,7 mil pessoas, caso atingisse a meta nacional de eficiência estabelecida para 2033.

A situação mais crítica aparece no indicador de perdas por ligação de água. Enquanto a média brasileira é de 349,09 litros por ligação por dia, o Acre registra 961,18 litros, quase três vezes mais, ficando atrás apenas de Roraima entre todas as unidades da Federação. O estudo aponta que esse resultado evidencia dificuldades estruturais na operação dos sistemas de abastecimento e maior necessidade de investimentos em infraestrutura e gestão.

Na capital acreana, os indicadores também chamam atenção. Rio Branco perdeu 53,35% da água distribuída em 2024, figurando entre os dez municípios com pior desempenho entre os 100 mais populosos do país. No indicador de perdas por ligação, a capital registrou 951,58 litros por ligação por dia, ocupando a 94ª posição entre os 99 municípios avaliados.

Consultado pelo Portal Acre, o diretor-presidente do Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb), Enoque Pereira Lima, afirmou que quando houve a reversão do sistema do estado para o município, em 2022, a situação era pior, com uma taxa de perda de 67%, que foi sendo reduzida nos anos seguintes.

“Com os esforços, o Saerb reduziu em 2025 para 51%, com projeção de reduzir para 45% até o final de 2026 e 35% ao final de 2027 e atender à exigência do Marco Legal do Saneamento até 2033”, previu.

Segundo os autores do estudo, as perdas de água não representam apenas vazamentos nas tubulações. O índice reúne desperdícios físicos na rede, falhas operacionais, fraudes, ligações clandestinas, erros de medição e outras perdas comerciais. O resultado é um aumento da necessidade de captação e tratamento de água, maiores custos para os prestadores do serviço e pressão adicional sobre os mananciais.

A simulação elaborada pelos pesquisadores mostra que, se o Acre alcançasse a meta nacional de 25% de perdas na distribuição, deixariam de ser desperdiçados diariamente volumes equivalentes a 27 piscinas olímpicas ou 90.983 caixas d’água de 750 litros, quantidade suficiente para atender cerca de 154.671 pessoas.

O estudo também destaca que a redução das perdas se tornou uma das principais estratégias para a universalização do abastecimento de água no país. A meta fixada pelo Ministério das Cidades prevê que os sistemas brasileiros atinjam, até 2033, índice máximo de 25% de perdas na distribuição.

Atualmente, a média nacional é de 39,53%, enquanto estados como o Acre permanecem muito acima desse patamar, reforçando a necessidade de investimentos em substituição de redes antigas, controle de vazamentos, modernização da medição e combate às perdas comerciais.

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