Rio Branco, 5 de setembro de 2026.

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Professora que ajudou a formar gerações em Xapuri é indicada para patrona da Academia Acreana de Letras

Euri Figueiredo faleceu em outubro de 2025 – Foto acervo pessoal

A educadora Raimunda Euri Gomes Figueiredo, conhecida em Xapuri e no Acre como Professora Euri, foi indicada para ser patrona da cadeira 55 da Academia Acreana de Letras (AAL). Falecida em 2025, aos 94 anos, ela deixou uma trajetória de quase cinco décadas dedicada à educação e à formação de sucessivas gerações no município onde nasceu.

A indicação foi apresentada pelo escritor e poeta xapuriense Milton Menezes Junior, que atribui à professora, entre outros méritos, o reconhecimento inicial de seu próprio talento literário. A proposta integra o edital da Academia Acreana de Letras para a escolha de nomes que deverão compor o quadro de patronos e patronas das cadeiras 41 a 60 em cerimônia marcada para o próximo dia 19 de setembro.

Nascida em Xapuri em 18 de outubro de 1930, Euri iniciou os estudos aos nove anos, quando deixou o seringal acompanhada do pai para estudar no Colégio das Freiras de Xapuri. Em 1942, concluiu os estudos iniciais no Colégio Divina Providência e posteriormente cursou Magistério na Escola Normal Padre Felipe Galerani, onde consolidou a vocação para o ensino.

Quase cinco décadas dedicadas à educação

A carreira no serviço público começou em 1947, quando foi nomeada professora da Secretaria de Educação e Cultura do então Território Federal do Acre. Entre 1952 e 1974, lecionou no Colégio Divina Providência, onde ensinou disciplinas como Ciências, Anatomia, Geografia, Higiene, Comunicação e Expressão e Língua Portuguesa. Sua atuação na educação se estendeu até 1996.

Além da sala de aula, a Professora Euri ocupou funções de gestão e participou da estruturação do ensino em Xapuri. Dirigiu as escolas Plácido de Castro, Anthero Soares Bezerra e Padre Felipe Galerani e teve participação no processo de fundação e implantação pedagógica da Escola Anthero Soares Bezerra.

Incentivo à literatura e à cultura

Escritor Milton Júnior, autor da indicação, ao lado da professora Euri Figueiredo – Foto acervo pessoal

O legado da educadora, segundo a documentação apresentada à Academia, ultrapassou os limites da escola. Ela incentivou novos talentos da literatura e da música e teve papel no reconhecimento inicial do poeta Milton Menezes Junior, autor da indicação.

Também é atribuída à professora a idealização do grupo musical Os Siderais, além de atuação na organização de festividades tradicionais, novenas e na preservação da memória da comunidade da Igreja de São Sebastião.

Outro aspecto destacado é a utilização de sua própria biblioteca como espaço de pesquisa para estudantes. Em uma época de acesso mais limitado aos livros, ela compartilhava o acervo pessoal com jovens da comunidade, ampliando as possibilidades de leitura e formação.

Reconhecimento

A justificativa apresentada à Academia define a homenagem como uma forma de reconhecer uma trajetória construída na educação, na cultura e na formação intelectual de Xapuri. Para o proponente, transformar a Professora Euri em patrona significa preservar a memória de uma educadora que fez do ensino e dos livros instrumentos de transformação social.

“A Professora Euri não foi apenas uma educadora que passou por uma sala de aula. Ela ajudou a abrir caminhos para que muitos de nós descobríssemos o valor do conhecimento, da literatura e da cultura. Para mim, essa indicação também representa uma forma de devolver a ela, em nome de Xapuri, um pouco do que ela fez por tantas gerações”, afirma Milton Junior.

A indicação foi formalizada em 11 de junho passado e tem entre as referências registros históricos da Secretaria de Estado de Educação, documentos do Colégio Divina Providência, a concessão do Título de Cidadã Rio-Branquense à professora pela Câmara de Rio Branco e a nota de pesar publicada pela Prefeitura de Xapuri após sua morte. 

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