
O Acre registrou quatro vítimas de feminicídio entre janeiro e agosto de 2026, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O total representa redução de 42,86% em relação ao mesmo período de 2025. Os números são parciais e não permitem antecipar o balanço do ano.
Três dos quatro casos ocorreram em julho e um em agosto. Rio Branco concentrou duas vítimas, enquanto Cruzeiro do Sul e Manoel Urbano registraram uma cada. A taxa informada pelo painel foi de 0,68 vítima por 100 mil habitantes.
Um possível quinto caso ocorreu em setembro, na zona rural de Xapuri. No dia 29, uma mulher de 29 anos morreu após ser atingida por um disparo de arma de fogo na região do Ramal do Catete. O marido procurou a delegacia e afirmou que o tiro teria sido acidental. Ele foi preso sob suspeita de feminicídio.
A reportagem procurou a Delegacia de Polícia de Xapuri para obter informações atualizadas, mas não recebeu resposta até o fechamento desta publicação. O painel do Sinesp consultado aponta um registro de feminicídio no município em setembro, mas ainda não há confirmação oficial de que corresponda a essa ocorrência.
Acre teve 14 feminicídios em 2025
O cenário de 2026 precisa ser contextualizado com os dados do ano anterior. De acordo com o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o Acre registrou 14 feminicídios consumados e 54 tentativas em 2025.
A taxa foi de 3,2 vítimas por 100 mil mulheres, apontada como a mais alta entre as unidades da Federação na divulgação do levantamento. O número de feminicídios consumados aumentou 75% em relação a 2024.
Casos envolveram companheiros e ex-companheiros
Entre os casos contabilizados pelo Sinesp, Maria Ferreira da Silva Almeida, de 49 anos, foi assassinada a facadas pelo marido, Osmar Pinheiro da Silva, de 58 anos, em Manoel Urbano, em 6 de julho. Segundo informações policiais divulgadas à época, ciúmes era uma das hipóteses investigadas para a motivação. A filha do casal presenciou o crime. Depois de matar a esposa, o homem tirou a própria vida.
No dia anterior, Juliana Barbosa, de 44 anos, foi morta pelo ex-companheiro na comunidade Japãozinho, em Cruzeiro do Sul. Ela havia decidido terminar um relacionamento de cerca de 30 anos. Segundo informações divulgadas na época, a mulher procurou a Justiça após ameaças e obteve medida protetiva de urgência. Após o assassinato, o agressor também tirou a própria vida.
Em Rio Branco, Reginaria Bandeira da Silva, de 22 anos, foi encontrada morta em uma área de mata às margens da AC-10, na zona rural da capital. Ela estava desaparecida desde 25 de julho, quando saiu com o namorado. O homem confessou o crime e levou os investigadores ao local onde havia ocultado o corpo.
A quarta vítima foi Maria Ramona Araújo da Silva, de 18 anos, encontrada morta no apartamento onde morava, no bairro Conquista, em Rio Branco. O caso foi investigado como feminicídio, e o principal suspeito era o ex-namorado, Daniel Nestor Guzman, de 40 anos, conhecido como “Argentino”. A investigação indicou que a morte poderia ter ocorrido entre 30 e 31 de agosto. Reportagens publicadas à época informaram que o suspeito já havia sido condenado por feminicídio em Roraima.
Onde buscar ajuda
O feminicídio é o assassinato de uma mulher por razões da condição do sexo feminino, incluindo situações de violência doméstica e familiar ou menosprezo e discriminação contra mulheres. A prevenção depende da atuação integrada das forças de segurança, do sistema de Justiça e da rede de atendimento.
Mulheres em situação de violência podem procurar o Ligue 180, serviço gratuito que funciona 24 horas por dia e orienta sobre direitos e serviços disponíveis. O atendimento também pode ser acionado pelo WhatsApp (61) 9610-0180. Em situações de emergência ou risco imediato, a orientação é ligar para a Polícia Militar, pelo 190.








