
Maria Mariana Mota (estagiária), sob supervisão de Leônidas Badaró
Na manhã desta quarta-feira, 22, aconteceu a cerimônia de entrega de próteses a moradores da Casa de Acolhida Souza Araújo, em Rio Branco. O evento reuniu representantes da casa de acolhida, da Secretaria Estadual de Saúde – Sesacre, Fundação Hospitalar do Acre – Fundhacre, do Tribunal de Contas do Estado, além de pacientes que vivenciam os impactos da hanseníase.
A casa teve início em 1928, como um pequeno abrigo que acolhia cerca de 30 pacientes, que evoluiu ao longo dos anos para hospital, visto que chegou a atender mais de 400 pessoas em 1966. E, mais recentemente, passou a ser casa de acolhimento, em virtude das mudanças na abordagem e no olhar social para os pacientes.
O diretor executivo da Sesacre, Alexandre Nascimento, destacou o caráter histórico e coletivo da ação. “Esse é um processo histórico de reafirmação do compromisso da Fundação Hospitalar, mas sobretudo da saúde, das políticas públicas, com a dignidade humana. Essa pauta não é um ato pontual”, afirma.

A atuação do Tribunal de Contas do Estado foi decisiva para que a ação saísse do papel. A presidente do órgão, Dulcinéa Benício, explicou que houve uma intervenção institucional para organizar e garantir a execução das políticas. “A gente detectou várias falhas e começou a chamar as secretarias e a Fundação Hospitalar. A questão das próteses foi uma delas. Então houve uma atuação do Tribunal, através de uma mesa de consensualismo, onde reunimos os gestores, apontamos as deficiências e construímos um cronograma de execução.”
Segundo ela, o problema não se limitava à falta de próteses e a população se via obrigada a lidar com a falta de atendimento adequado.
“Essas pessoas estavam sendo atendidas nas unidades de saúde do município, mas muitos profissionais não se sentiam capacitados e acabavam negando atendimento no SUS, o que é grave. A partir disso, articulamos a capacitação dos profissionais e a abertura de unidades preparadas para esse atendimento. Então, o que está acontecendo hoje é resultado direto dessa intervenção”, afirma.

A história da Casa Souza Araújo ajuda a dimensionar a importância desse momento. Francisca Vieira, atual gestora da unidade, falou sobre a precariedade a que as pessoas amparadas pela casa normalmente foram acometidas. “Durante décadas, pacientes foram isolados, tratados com pouco recurso e submetidos a condições precárias. Com o uso de óleo de andiroba e iodo para curativos até a chegada de medicamentos mais eficazes vindos de outros estados, o cuidado sempre foi menor do que as necessidades”, relembra.
Na década de 1960, com a atuação da Igreja e do governo, houve avanços como a construção de pavilhões e a ampliação da assistência. Ainda assim, muitos pacientes permaneceram por décadas institucionalizados, afastados do convívio social.








