
O estado do Acre figura entre os poucos da Amazônia Legal que conseguiram reduzir o desmatamento antes do prazo estabelecido em seus planos estaduais. De acordo com o estudo “Metas federais e estaduais de redução de desmatamento na Amazônia até 2030”, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), o Acre registrou, em 2024, uma taxa de 448 km² de desmatamento — 34% abaixo da meta prevista para o ano (678 km²).
Esse desempenho coloca o estado entre os que cumpriram ou estão em rota de cumprimento de suas metas de curto prazo. Contudo, o relatório destaca que tais resultados refletem metas de baixa ambição, já que o Acre não projetou compromissos de médio ou longo prazo até 2030, limitando-se ao ciclo atual de 2024 a 2027.
Comparação regional
O cenário amazônico revela três blocos distintos. O primeiro reúne estados com metas atingidas ou superadas — Acre, Amazonas, Rondônia e Amapá. Entre eles, o Amapá é o único com desmatamento zero desde 2024, segundo dados do Projeto Prodes.
No segundo grupo estão Mato Grosso e Roraima, que não atingiram suas metas e mantêm taxas elevadas de desmatamento. Mato Grosso superou em 47% o limite fixado para 2024, e Roraima, em 20%.
Já Pará, Maranhão e Tocantins formam o terceiro bloco, com metas ausentes ou atrasadas. O Pará, por exemplo, só prevê metas para 2030, e ainda com 1.538 km² de desmatamento estimado, mais que o dobro da proposta federal. Maranhão e Tocantins, por sua vez, continuam com índices elevados de desmatamento ilegal, inviabilizando o cumprimento das metas estaduais.
Alinhamento com metas federais e internacionais
Enquanto o governo federal, por meio da 5ª fase do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDAM), prevê desmatamento zero até 2030, a meta do Acre não está alinhada a esse compromisso. O estado também não participa de metas conjuntas quantificadas no âmbito do Consórcio Interestadual da Amazônia Legal, que reúne os nove estados da região e busca eliminar completamente o desmatamento até 2030 e recuperar 3.000 km² de áreas degradadas.
Apesar disso, o Acre é signatário da Coalizão Under2, grupo global que persegue a neutralidade climática até 2050. O compromisso prevê limitar as emissões a 2 toneladas de CO₂ per capita ou reduzir entre 80% e 95% dos níveis de 1990, mantendo o estado em sintonia com as metas nacionais de longo prazo.
Desempenho técnico, planejamento estratégico limitado
O Imazon aponta que o Acre demonstra capacidade técnica e institucional para cumprir metas ambientais, mas carece de planejamento estratégico robusto e de integração efetiva com os demais entes da Amazônia Legal. Sem novas metas intermediárias até 2030, o risco é que o estado perca protagonismo na transição para o desmatamento zero.
Clique aqui para ler o estudo completo.







