
A capital do Acre, Rio Branco, ocupa a 9ª posição nacional no ranking de municípios com as maiores taxas de estupro e estupro de vulnerável, considerando cidades com mais de 100 mil habitantes. De acordo com os dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, a capital acreana registrou uma taxa de 81,7 ocorrências para cada 100 mil habitantes em 2025.
O cenário torna-se ainda mais crítico quando a análise recorta especificamente a população feminina. O estado do Acre possui a segunda maior taxa de vitimização de mulheres do Brasil, com 172,5 estupros para cada 100 mil mulheres, sendo superado apenas por Roraima. Esse índice estadual é mais de duas vezes superior à média nacional, que fechou o ano passado em 67,7 por 100 mil mulheres.
Vulnerabilidade na Amazônia
O relatório destaca uma preocupante concentração regional desse tipo de violência: das dez cidades com as maiores taxas do país, oito estão localizadas na Amazônia Legal, incluindo Rio Branco. Além disso, dos oito estados com os piores indicadores nacionais, sete integram a região amazônica.
Analistas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que esses territórios compartilham dinâmicas socioeconômicas que podem potencializar a violência, como a expansão de atividades extrativistas, a presença de grandes eixos rodoviários e portuários, além da atuação de organizações criminosas em áreas de fronteira.
Perigo dentro de casa
Os microdados analisados pelo Anuário revelam que a violência sexual no Brasil possui um padrão doméstico e intrafamiliar. A maioria absoluta dos casos ocorre dentro da residência da vítima (64,9% no caso de estupro de vulnerável). Além disso, em 46,9% das ocorrências que envolvem crianças e adolescentes, o agressor é um familiar.
Embora o Acre tenha registrado uma queda de 14,2% no total de estupros em relação a 2024, a permanência de Rio Branco e do estado no topo dos rankings nacionais de vitimização reforça a urgência de fortalecer as redes de proteção e os canais de denúncia, especialmente voltados para o ambiente doméstico e a proteção da infância.








